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Este site hospeda temporariamente minha página pessoal e, por ora, pseudo-institucional. Por motivos vários, não posso ter garantia de que terei carreira acadêmica no futuro, ou seja lá o que for. Vivo uma fase pessoal de transição, tenho muitos interesses que envolvem filosofia, política e artes (primeiro, no  sentido de “artes liberais”, segundo no sentido das ditas “belas artes” e, terceiro, até em seu aspecto da tecnologia como arte ou technê). Com o tempo, minha intenção é desenvolver os imbricamentos, bifurcações ou mesmo encruzilhadas entre as diversas disciplinas por que me interesso.

Sou também professor particular de inglês desde os 16 anos, o que me garante pelo menos 14 anos de experiência na profissão, e já recebi, no mundo acadêmico, uma série de bolsas e auxílios, com que tentei dar o pontapé inicial na seara filosófica. Comecei estudando Aristóteles em minha iniciação científica na USP (entre 2008 e 2009), com o professor Marco Antônio de Ávila Zingano. Os resultados muito incipientes podem ser vistos em pelo menos três atas do Siicusp (Simpósio Internacional de Iniciação Científica e Tecnológica da USP) — sendo uma dessas atas intitulada O Realismo Aristotélico nas Questões do Ser, do Tempo e da Percepção.

Já os parcos e provisórios resultados de meu mestrado (Agosto de 2011, Junho de 2015), orientado pelo professor José Carlos Estêvão, podem ser vistos na própria página de teses da USP, sob o pomposo título A Latinização do Vocabulário Grego do Ser no de Hebdomadibus de Boécio.

Não sou o professor da UFG, Adriano Correia, estudioso de Hannah Arendt. Tampouco sou o já falecido cantor português Adriano Correia, muito menos o lateral esquerdo do Barcelona (data vênia), também chamado Adriano Correia.

Por isso, infelizmente, vejo-me aqui obrigado a usar meu nome completo: Adriano Martinho Correia da Silva. Nesse sentido, vocês podem verificar meu parco e pobre currículo Lattes, minha página no Linkedin e também, por que não, uma honrosa menção feita por Gustavo Vilhena Barreto de Paiva em seu artigo sobre a melhor tradução para o termo latino transcendens, que, segundo ele, numa leitura algo kantiana deveria se traduzir simplesmente por transcendente, ponto também partilhado pelo filósofo já falecido Lambertus Marie de Rijk (embora, segundo Gustavo, com argumentos diferentes).

Por fim, destaco também um agradecimento a meu colega Adriano Martinho Correia da Silva (USP), que me apontou o texto RIJK, L. M. de. “The Aristotelian Background of Medieval transcendentia: a Semantic Approach”. In: PICKAVÉ, M. (Hrsg.). Die Logik des Transzendentalen. Festschrift für Jan A. Aertsen zum 65. Geburtstag. Berlin, New York: De Gruyter, 2003, pp.3-22. Nesse texto, Rijk argumenta que o latim escolástico “transcendens” é mais corretamente traduzido pelo inglês “transcendent” e não por “transcendentals”. É precisamente essa tese (no caso do português) que pretendo defender aqui, porém sigo outro caminho em minha argumentação que não aquele de Rijk.

Transcendentes ou transcendentais? Um ensaio sobre Kant e o erro dos escolásticos in Cadernos de Filosofia Alemã: Crítica e Modernidade (v.20, n.2, 2015, pp.179-200)

Tal posição é contraposta por Jan Adrianus Aertsen em Medieval Philosophy as Transcendental Thought (2012), logo no prefácio. Sua resposta a de Rijk parece satisfatória, no que, considero pessoalmente, um uso mais natural do termo filosófico (“transcendental”), que ganhou status canônico na história da filosofia. Não é uma má tradução a de “transcendental” (em vez do kantiano e anacrônico “transcendente”) para o que poderíamos chamar “arquétipos” do bem, do uno, do ser, etc., numa tradição que remonta a Proclo, Pseudo-Dionísio, Boécio, Santo Agostinho e até, talvez, Platão.

No futuro talvez eu retome os temas arrolados acima. Por ora, porém, concentro-me em dispersar, numa tentativa de organizar, meus pensamentos sobre justamente filosofia, política e as tais artes, entendidas, as últimas, em sentido largo. Vocês podem me visitar, por isso, no “ensaístico em progresso” Post Scriptum, o que venho tentando pensar sobre a crise em sua faceta mais atual e também em uma perspectiva probabilística (mas não casuística) do que chamo de correção bayesiana para eventos incertos — trata-se de ponderar sobre o imponderável, sobre aquilo que não temos certeza e que podemos ir corrigindo com o tempo, mantendo a coerência sem sacrificar os fatos, mas mudando de posição se fatos novos alteram nossa percepção da realidade ou aquilo que Herman Benjamin chamou platonicamente de “verdade real”. Veritas no latim tem uma conotação muito acentuada de “testemunho verossímil”, usado em contextos fáticos, ou seja, num mundo de oratória e retórica jurídica. Quando se fala em “verdade real” está-se tentando com que a justiça não seja cega à realidade. O assunto invoca um vespeiro, mas o ontos on — algo como “aquilo que realmente é” ou o “ser real” ou numa tradição jurídica latina, a tal da “verdade real” — de Platão parece consoar neste caso.

É isto.

Repito: por ora, encontrem-me em meus escombros em reconstrução no Post Scriptum, aquele blog que é escrito, em tese, “depois do (já) escrito”, embora se espere de maneira não falaciosa e ad hoc. E para isso nos precavemos quanto a estes perigosos e, espera-se, aparentes paralogismos, deixando-me guiar pelo Leitmotiv bayesiano probabilístico e algo falibilista — apenas “um tanto” falibilista, porque é possível que a própria concepção de um falibilismo consolidado seja ela mesma auto-destrutível, caindo no famoso paradoxo do mentiroso (“esta sentença é falsa”), a despeito de se tratar de uma sua versão mais sofisticada e de características modais (“este enunciado pode ser falso”). Embora com a garantia de algo nos termos de “esta proposição é falseável”, ter-se-ia asseguradas a garantia da verdade ou pelo menos da verossimilhança.